Arrependei-vos

“Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.”
Mateus 4:17

ARREPENDEI-VOS! Essa foi a primeira ordem de Jesus (também de João Batista em Mateus 3:2). Arthur W. Pink, grande evangelista e teólogo, em Arrepender ou Perecer, nos alerta que “Estas foram as palavras do Filho encarnado de Deus. Elas nunca foram canceladas; e não serão, enquanto este mundo durar. O arrependimento é absoluto e necessário se é para o pecador fazer paz com Deus (Isaías 27:5), porque arrependimento é o lançar fora as armas da rebelião contra Ele. O arrependimento não salva, todavia nenhum pecador jamais foi ou será salvo sem ele. Nada senão Cristo salva, mas um coração impenitente não pode recebê-LO.”

Em todas as épocas, desde Adão e Eva no Éden, Deus enfatiza o arrependimento. Entre os patriarcas, Jó disse: “Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.6). Sob a vigência da Lei, Davi escreveu os salmos 32 e 51. Cristo declarou a respeito de Si mesmo que viera “chamar… pecadores ao arrependimento” (Mt 9.13). Pouco antes de sua ascensão, Cristo ordenou “que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc 24.47). E os apóstolos ensinaram a mesma doutrina, “testificando tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus” (At 20.21).

Arthur W. Pink continua dizendo que: “Em requerer arrependimento de nós, Deus está pressionando Suas justas reivindicações sobre nós. Ele é infinitamente digno de supremo amor e honra, e de universal obediência. Isto nós temos impiamente Lhe negado. Tanto um reconhecimento como uma correção disto é requerido de nós. Nossa desafeição por Ele e nossa rebelião contra Ele devem ser reconhecidas e exterminadas. Dessa forma, o arrependimento é uma compreensão profunda de quão terrivelmente tenho falhado, durante toda minha vida, em dar a Deus Seu justo lugar em meu coração e em meu andar diário.”

O arrependimento não é somente tristeza pelo pecado, mas uma decisiva mudança, um afastamento do pecado e um comprometimento quanto a começar uma vida de obediência. Ele traz consigo tristeza, mas é diferente de remorso. Judas sentiu remorso, mas não se arrependeu (Mateus 27:3). Para notar a diferença que existe entre arrependimento sincero e remorso, basta analisar as palavras de João Batista em Mateus 3: 8 “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento;”. Esses frutos referem-se a justiça genuína e interior e não somente a evidência exterior. Arrependimento sem alguma mudança perceptível não pode ser real.

O arrependimento é algo evidente na vida de um verdadeiro Cristão, pois ele é dom de Deus (At 5.31; 11.18; II Tm 2.25). É a graça do arrependimento que faz verdadeiros cristãos prosseguirem por meio de suas falhas, fraquezas e pecados. Ele é a porta, o guardião que conserva os cristãos genuínos na santidade.

É impossível ser cristão e não caminhar em arrependimento, pois ele refina a alma e faz com que o verdadeiro cristão, eleito, viva totalmente para Deus e odeie o pecado mais do que a morte.

Arrependimento sincero e, portanto, eficaz é carregar a cruz, é negar-se a si mesmo (Lc 9:23), é uma renúncia total, despindo-se assim do velho homem (Cl 3.9), crucificando a carne com suas concupiscências (Gl 5.24). O cristão genuíno é alguém que verdadeiramente morreu para o pecado e ressuscitou para uma nova vida com Cristo.

Que tenhamos em mente que o Evangelho de Cristo providencia alívio misericordioso e perdão por aqueles pecados diários que nos vencem por causa de nossa fraqueza (I Pe 4.1,2), todavia, não permite que pecado algum seja poupado, nutrido e amado. Uma vida habitual de pecado é plenamente contrária com a obediência bíblica (I Jo 3.6-9).

Que seja a nossa atitude semelhante ao do publicano que orava arrependido verdadeiramente e clamava: “Sê propício a mim, eu miserável pecador!” (Lc 18.13).

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude.

Soli Deo Glória!